logo-1862307_960_720

O país está vivendo um momento bem particular e com impactos em todos os campos e setores. Como não poderia deixar de ser, a discussão sobre o campo político se aflora, principalmente com as eleições em 2018, e chega ao setor do ISP. Se por muito tempo a palavra ‘política’ poderia causar certos arrepios entre os investidores sociais, alguns passam a olhar com atenção ao que ela representa e começam a dar passos largos em uma atuação qualificada e focada em transformações sociais.
“Nunca passou por nossa cabeça ou em nossos planejamentos atuar nessa esfera, apesar de uma das grandes fortalezas do Alana ser o advocacy que, sem dúvida, faz parte desse sistema político. Mas a palavra política era meio tabu, como creio que também deva ser para várias instituições como a nossa. Mas é um engano. Deveríamos falar cada vez mais. As ações do investimento social privado são mais frágeis se olharmos apenas a nossa parte sem atuarmos também no todo”, ressalta Marcos Nisti, CEO do Alana.

E completa: “No Alana, chegamos à conclusão que não dá para colocar esse assunto para debaixo do tapete. Não dá para trabalhar com educação, com meio ambiente, com saúde sem olharmos o cenário maior. Não estamos falando de utilizarmos nossos recursos para apoiarmos este ou aquele partido. Defendemos que temos que melhorar o solo onde nascem as lideranças, aparelhar o cidadão com educação e tecnologia para que ele se sinta parte e acompanhe as decisões que são tomadas na esfera política e que afetam a vida de todos. Por isso, sim, o investimento social privado deve atuar nesta pauta”.
O grande motivador e disparador desse novo olhar na organização veio da aproximação com o Instituto Update, que realizou um levantamento de mais de 700 iniciativas de inovação política na América Latina, mapeadas em 11 países. O Alana decidiu investir uma parte dos seus recursos para apoiá-los a encontrar, registrar e fortalecer ações de inovação política.

Assim, com o apoio do Alana, a Maria Farinha Filmes e a Globonews, será lançada, no dia 07 de novembro, a série “Política: Modo de Usar“. Serão quatro episódios, sendo cada um focado em um tema: Cidadãos em formação: despertar da ação; Tecnopolítica; Poder Público com foco no cidadão; e Brasil: e eu com isso? Cada tema tem em média cinco personagens retratados dos países: Argentina, Chile, Paraguai, Colômbia e Brasil. Ao todo, serão retratadas 18 histórias inspiradoras garimpadas pelo Instituto Update, de projetos bem-sucedidos em meio à crise institucional política que marca não só o país, mas todo o mundo. A série será transmitida sempre às terças, às 21h30, na Globonews.

Marcos Nisti destaca que ‘inovação’ é o tom da série e que marca a atuação também do Alana. “Inovar é preciso e as organizações familiares, como a nossa, são o lugar mais propício para isso. Trazer soluções inovadoras na política é de extrema relevância, principalmente porque nos faz relembrar a função dela e como o cidadão pode e deve participar. Essa é a maior provocação dessa história. Tem muita gente fazendo muita coisa bacana em um continente maravilhoso e que é constantemente bombardeado por notícias negativas de seus governos e de seus representantes. Nosso maior sonho, em termos de resultados, é despertar o maior número de pessoas possível para isso”, ressalta.

Influenciar as eleições
Outra organização que decidiu investir forte neste campo é o Instituto Clima e Sociedade (iCS). A provocação surgiu após a realização do encontro “Brazil Deep Dive”, promovido em junho, no Rio de Janeiro, reunindo 15 organizações filantrópicas do Brasil, Estados Unidos e Europa para debater os rumos da mudança do clima e do financiamento para o tema. Na ocasião, os participantes se depararam com o desafio de levar, de maneira mais incisiva e provocadora, essa temática para ser debatida pelos candidatos nas eleições de 2018 e entrar de fato na agenda política do país.

A partir de então, o Instituto provocou mudanças no seu planejamento e decidiu elencar 12 ações que irão promover ao longo de 2017 e 2018.

“Para uma organização filantrópica como a nossa não resta dúvida de que não podemos nos privar de tentar influenciar um processo eleitoral que será de extrema importância para qualquer um dos temas que trabalhamos. As OSC, sem sair do seu foco temático, têm também que olhar para a oportunidade que uma eleição traz, não serem só reativas, mas serem atores neste momento político, por meio das causas que defendem. Sabemos que questões como energia renováveis, desmatamento, transporte público, mobilidade etc. não são as mais importantes da eleição do ano que vem, mas são temas centrais e fundamentais para a vida das pessoas”, comenta Ana Toni, diretora executiva do iCS.

Na opinião de Ana, a influência deve ser feita também junto ao Congresso Nacional. “Se não trouxermos novos atores e novos temas para este espaço, vamos ficar de espectadores apenas. Temos que ser atores que pautam o Congresso. É uma obrigação de todos os brasileiros, e a filantropia não pode ficar de fora, com todos os cuidados que trabalhar com a política nos traz. Por isso, abraçamos a ideia de pensarmos a nossa atuação em 2018 em relação as eleições porque queremos que os nossos temas estejam na pauta do Congresso Nacional de uma maneira qualificada. Para isso precisamos promover e provocar que eles se posicionem. É uma obrigação nossa. Se não fizermos as perguntas certas sobre estes temas, eles não vão falar sobre isso. Precisamos criar oportunidades de debates”, acredita.

Entre as 12 ações então apoiadas ou desenvolvidas pelo iCS está, por exemplo, a plataforma “2018: Brasil do Amanhã”, desenvolvida em parceria com a Fundação Roberto Marinho, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a Globonews e o Museu do Amanhã. Intencionalmente organizada a um ano das eleições, se propõe a desenvolver temas de interesse nacional de maneira científica a partir de dados concretos, evidências ou constatações acadêmicas, com o objetivo de aprimorar o nível de informação, engajamento social e mobilização no período que antecede o processo de representação democrática pelo voto.

Todos os meses um novo encontro será organizado, trazendo não só especialistas para debater os assuntos, mas também os candidatos às eleições e novas vozes que normalmente não são ouvidas nestes momentos, como, por exemplo, a população indígena. Serão 11 temas da agenda de direitos socioambientais considerados fundamentais para o desenvolvimento sustentável do país (confira o debate no dia de lançamento), como Segurança Pública; Floresta; Ciência, P&D, Empreendedorismo e Inovação; Água e Saneamento; Energia; Respeito, Religião e Representatividade da Diversidade; Alimentação: Agricultura e Pecuária; Economia Circular e novos modelos; Gestão Púbica e Liderança; Transporte; Educação e Juventude: Aprendizado em tempos disruptivos e exponenciais.

Outra iniciativa é o apoio, junto com a Open Society Foundation, Fundação Ford, Universidade Estadual do Rio de Janeiro etc., ao Observatório do Congresso. A proposta é inserir, na agenda do Observatório, a realização de rankings de melhores e piores deputados em temas específicos da agenda socioambiental. Assim, será possível acompanhar, por exemplo, os parlamentares que estão apoiando ou não o desmatamento. A proposta é iniciar os rankings no início de 2018.
Há ainda outros projetos, como o apoio ao Velo-city Global Conference, maior evento do mundo de transporte ativo, que será realizado em junho de 2018 pela primeira vez no Brasil, assim como à organização chamada Raps (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), que atua na formação de novos líderes da agenda socioambiental.

Via GIFE