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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um bilhão de pessoas no mundo vivem com alguma deficiência, seja física, intelectual, visual ou auditiva. Com o objetivo de promover uma reflexão sobre o tema da educação inclusiva, estão abertas as inscrições para o 2º Edital VIDEOCAMP de filmes.

VIDEOCAMP é uma plataforma online e gratuita, lançada em 2015 pelo Alana, com o objetivo de apoiar, selecionar e promover filmes com temáticas relevantes para a sociedade. Com apoio institucional do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), a ideia do segundo edital é selecionar uma produtora para realizar um filme que sensibilize o público sobre a importância da inclusão na sociedade, de forma a possibilitar mais oportunidades para aqueles que possuem algum tipo de deficiência.

Segundo a coordenadora do VIDEOCAMP, Josi Campos, a ideia da criação da plataforma surgiu da vontade de acompanhar a trajetória de filmes que eram enviados para o Alana e avaliar o impacto que a disseminação dessas obras causavam. “Junto com a produtora Maria Farinha, decidimos criar uma plataforma que fosse aberta para que qualquer realizador pudesse compartilhar sua obra audiovisual, desde que seja capaz de despertar um pensamento crítico ou trazer algum tema relevante à pauta”.

Usar o cinema para divulgar e incentivar o debate sobre temáticas socialmente importantes é, segundo Josi, uma forma de levar informações muitas vezes complexas de forma muito simples a diversos públicos.

“A nossa missão é usar o audiovisual como ferramenta de informação e de cultura, porque nós sabemos que ela transforma e informa. Além disso, existe essa magia por trás do cinema, e é ótimo que esse encantamento venha, muitas vezes, carregado de conhecimento. É possível, por exemplo, levar informações por meio dos filmes para pessoas que não são alfabetizadas ou que não têm acesso à leitura. Isso faz dele uma potência de comunicação”.

A chamada de projetos:

O edital foi pensado de acordo com quatro pilares: 1. propósito (a chamada pretende originar um filme que incentive o debate sobre o tema e contribua para uma sociedade mais consciente); 2. autonomia (o edital proporciona liberdade criativa para que cada proposta escolha como deseja abordar o assunto); 3. viabilidade (com disposição de recursos suficientes para colocar o projeto escolhido em prática com qualidade); e 4. alcance (promoção da obra selecionada, com lançamento global e divulgação em diversas frentes).

“Quando a gente fala que procuramos um filme curioso, sensível e criativo, é algo que vá além do técnico, porque mais importante que isso é um filme que transforme a concepção das pessoas em relação à educação inclusiva, que realmente mostre a potência desse educar diverso. Nós acreditamos que essa é uma educação que transforma, na qual todos ganham: as pessoas com e sem deficiência”, ressalta a coordenadora do VIDEOCAMP.

Produtoras independentes de qualquer país podem submeter projetos, que devem ser enviados em português ou inglês, e se encaixar em um dos gêneros: ficção, documentário ou animação. Além desses, é necessário obedecer outros critérios técnicos, como: duração mínima de 30 minutos, ser dublado em português e legendado em português, inglês e espanhol (uma vez que a produção será amplamente divulgada), além de ter arquivos de acessibilidade, como: linguagem de sinais, áudio-descrição e legenda oculta.

Além disso, é requisito que o produtor do filme elabore um material de apoio para guiar possíveis discussões que surgirão a partir de exibições coletivas desse filme. Trata-se de um breve guia, que apresente um panorama do tema em questão, como ele é tratado em diversos lugares do mundo, além de opiniões diversas sobre o assunto. “O material deve ajudar um exibidor que pode vir a ser um mediador de um debate sobre educação inclusiva. São dados, fatos e um panorama geral para que as pessoas possam começar a conversar a partir de algum lugar e desenvolver um debate mais qualificado”, comenta Josi.

Seleção:

Os projetos inscritos serão avaliados primeiramente por um comitê técnico, formado por especialistas em deficiência ou pessoas com deficiência. A coordenadora do VIDEOCAMP defende que essa é uma forma de olhar para o tema usando o conhecimento de pessoas que vivem o tema de educação inclusiva.

Posteriormente, as obras pré-aprovadas serão avaliadas pelos comitês preliminar e selecionador, que levarão em conta os critérios: originalidade da obra; coerência com o tema; potencial para pautar discussões sobre educação inclusiva; repertório do diretor e do roteirista; estratégia do filme; observância aos direitos humanos e respeito à diversidade de gênero, sexo, etnia, credo, religião e das pessoas com deficiência; e adequação ao Manual de Boas Práticas.

Será selecionada uma única proposta, que poderá receber um patrocínio de até 400 mil dólares. O vencedor terá aproximadamente um ano e meio para produção da obra, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2020. A divulgação será feita por meio da plataforma, mas o produtor também pode buscar outras formas de divulgar a produção.

Inscrições:

As inscrições podem ser realizadas até o dia 21 de junho diretamente no site do VIDEOCAMP. O anúncio dos cinco finalistas será feito no dia 1 de setembro, enquanto que o grande vencedor será conhecido no dia 20.

Eventuais dúvidas podem ser esclarecidas na parte de ‘Perguntas Frequentes’, no próprio edital, disponível na íntegra no site, ou encaminhadas para o email edital@videocamp.com.

 

Fonte: GIFE