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Diversos estudos e pesquisas defendem que é na infância que criam-se hábitos que serão seguidos na fase adulta. Isso inclui diversos aspectos da vida; a educação é um deles. Por isso, o programa Myra – Juntos pela Leitura, iniciativa que apoia o aprimoramento das competências leitoras de estudantes do 4º ao 6º anos do Ensino Fundamental de escolas públicas, está com inscrições abertas.

O Myra é uma adaptação do programa Lecxit, uma experiência da Catalunha (Espanha) de promoção da leitura. A Fundação SM, com o apoio técnico da Comunidade Educativa CEDAC (Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária), resolveu trazer o programa para o Brasil e adaptá-lo.

Segundo Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM, a motivação para a realizar essa iniciativa é o compromisso da organização com a garantia de aprendizagem para todos. “Uma aprendizagem de qualidade passa por uma boa capacidade leitora: o prazer e o gosto de ler, saber ler e interpretar. O programa Myra forma leitores mais consistentemente”.

A iniciativa  funciona da seguinte maneira: crianças do 4º ao 6º, prioritariamente com dificuldades de aprendizagem ou de leitura, menor acesso à leitura ou que tenham interesse em participar das atividades, serão selecionadas a partir de uma avaliação fornecida pelo programa. O estudante pode decidir se quer ou não participar, mas a família deve estar de acordo e autorizar a participação.

Quando a turma estiver montada, voluntários-tutores irão realizar atividades de leitura com cada criança. As sessões de leitura semanais terão uma hora de duração e acontecerão na escola selecionada para desenvolver o programa. Apesar da proposta simples, Pilar destaca que não se trata de uma atividade para o adulto somente sentar e contar uma história para a criança. “O programa tem o diferencial que os voluntários têm uma boa formação para entender as várias leituras, os diversos meios e tipos de literatura. Ele também cria uma relação com o aluno: toda semana eles se encontram e fazem a sessão de leitura, trocando livros ou escutando o outro”.

Segundo a diretora da Fundação SM, é essa troca e interação que, aos poucos, cria na criança o interesse de ler, de buscar mais livros e outras fontes, o que colabora para que o estudante conheça e tenha à sua disposição mais instrumentos de aprendizagem. “Os voluntários devem ter sensibilidade para perceber os interesses das crianças, saber quem elas são, do que elas gostam e, a partir disso, levar os diversos materiais de leitura. No ano passado, tivemos um aluno interessado em ballet. A tutora dele começou a levar histórias de grandes bailarinos, ver filmes no YouTube, ler histórias que envolviam dança. Trata-se de fazer uma ponte entre os interesses da criança e a possibilidade dela conhecer mais sobre o assunto a partir da leitura”, ressalta.

A ideia é que o projeto tenha impacto tanto nos alunos quanto nos voluntários-tutores. Para os menores, o objetivo é o desenvolvimento das competências leitoras e de um maior repertório e interesse pela leitura. “Às vezes, a escola cria momentos de leitura que são muito desagradáveis, obrigatórios e forçados. Hoje, as escolas têm uma orientação boa de trabalho com literatura e isso vai formando crianças que gostam de ler. Quanto mais cedo elas desenvolverem esse hábito, melhor pra elas. Leitura é prazer, é gosto, mas também se aprende”, defende Pilar.

Já para os tutores, o objetivo é um maior conhecimento sobre o universo da leitura e uma tomada de consciência sobre o seu papel na formação de leitores. Pilar defende que trata-se de um movimento de aumentar o conhecimento da classe média sobre a escola pública a partir do conhecimento do trabalho que é realizado nessas instituições.

Além disso, a diretora da Fundação SM argumenta que o fato de adultos não lerem também é um desafio atual. Segundo Pilar, é possível envolver famílias com baixa escolaridade no projeto ao instigar o interesse e mostrar a importância da leitura. “Nós criamos um calendário com imãs para as famílias acompanharem as atividades realizadas. Quando há a percepção da importância dessa iniciativa e uma preocupação, as famílias começam a se envolver, seja lendo para a criança ou a criança lendo para os pais”.

Inscrições

Em 2016 e 2017, duas escolas públicas municipais de São Paulo já participaram da iniciativa. Para 2018, o edital pretende selecionar até três escolas públicas de São Paulo, sejam municipais ou estaduais.

Para participar, a escola deve se comprometer em avaliar o desempenho leitor dos alunos do 4º ao 6º ano, com o intuito de selecionar as crianças que irão participar do programa Myra. Além disso, é preciso que a instituição de ensino disponibilize horários para que as atividades aconteçam.

A participação das escolas no processo de seleção é gratuita. Aquelas que estiverem interessadas devem preencher a ficha de inscrição online até o 06 de dezembro. A lista com as escolas selecionadas será divulgada entre os dias 13 e 15 de dezembro nos sites da Fundação SM e da CEDAC.

O edital está disponível na íntegra no site. Eventuais dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail o programamyra@grupo-sm.com ou pelo telefone (11) 2111-7531.

Via GIFE