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Se considerarmos que quando crianças e jovens passamos mais tempo na escola do que em casa, é razoável dizer que trata-se de um lugar onde aprendemos mais do que fazer contas e conjugar verbos. A escola também é espaço de convivência e de desenvolvimento humano. Pensando em debater sobre a importância de se pensar a educação e a formação em suas multidimensões o Seminário Internacional de Educação Integral chega a sua terceira edição no Brasil.

Depois de dez edições no México, a terceira versão brasileira do evento será realizada pela Fundação SM e pela Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Centro de Referências em Educação Integral e do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) e apoio do Canal Futura e do SESC-SP.

Serão mais de 15 horas de programação destinadas à discussões, palestras e rodas de conversa, todas partindo do tema “Desenvolvimento integral e a Aprendizagem: o mesmo direito, várias realidades”. Segundo Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM, apesar da educação integral ser, atualmente, um tema muito debatido e procurado por escolas, gestores e redes municipais, é comum que seja confundida com aumentar a jornada escolar. “Na verdade, não estamos falando só de mais tempo na escola, mas de uma nova concepção da educação, que envolve enxergar os estudantes a partir de várias dimensões: física, emocional, social. É isso que faz com que a escola se torne mais contemporânea”, defende.

Segundo a especialista, a ideia é reunir anualmente atores envolvidos com a educação no Brasil para que, juntos, possam pensar e dialogar sobre as várias formas e concepções de promover a educação integral no país, além de mostrar que trata-se de um direito de todos. É um momento dedicado ao compartilhamento de experiências, ao debate sobre os desafios enfrentados e as oportunidades que surgem no caminho.

Programação

A roda de conversa que abre o seminário terá participações especiais: ex-alunos de escolas públicas estarão presentes para comentar sobre suas trajetórias escolares e, a partir disso, especialistas convidados irão debater elementos como papel da escola, ocupação, aprender no território, mecanismos de inclusão e equidade, entre outros pontos.

Pilar defende que a presença e a participação dos jovens segue um dos princípios da educação integral, que é o protagonismo dos alunos. “Ao invés de reunir um grupo de adultos para falar sobre os jovens, nós vamos escutar o que eles têm a dizer. Os jovens irão nos contar o que teria feito ou fez diferença na vida deles em escolas democráticas, que se preocuparam e dialogaram mais. Eles serão os porta-vozes dessa geração que está saindo da escola”.

A diretora da Fundação SM argumenta que trata-se de um movimento de entender que crianças e jovens têm algo a dizer e precisam ser escutados. Ela defende que, experiências como assembleias na escola para debater tópicos do interesse comum são importantes, pois, dessa forma, as decisões não serão tomadas somente por adultos, sem escutar os grandes interessados: os estudantes.

Entre os especialistas convidados a participar dessa roda de conversa estão: Angela Dannemann, superintendente da Fundação Itaú Social; Natacha Costa, diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz; Mônica Franco, superintendente do Cenpec; Mônica Pinto, gerente da Fundação Roberto Marinho; André Gravatá, do Movimento Entusiasmo; Daniel Remilik, participante do Redes da Maré; Mirelle Bezerra da Silva, participante do Conexão Felipe Camarão/Mestre de cultura popular; e Thabata Letícia da Silva, educadora do Programa Jovens Urbanos.

O primeiro dia do evento também ficará responsável por apresentar práticas que estão em andamento e são bem sucedidas Brasil afora. É o caso do Coletivo Escola Família Amazonas (CEFA); da Escola Municipal Professor Paulo Freire, de Belo Horizonte; do Laboratório de Inovação e Criatividade, em Ipatinga; e do Programa Curumim do Sesc.

Em seguida, será reservado um tempo para que os participantes possam, a partir de dez rodas de conversa, debater, compartilhar experiências e conhecer novas práticas sobre a agenda contemporânea de educação integral. Alguns dos temas que serão expostos e dialogados são: caminhos para contextualização curricular da BNCC no território; educação integral nas infâncias; a articulação pedagógica escola-território como prática de uma cidade educadora; os desafios da implementação da educação integral como política pública: caminhos e soluções, entre outros. Os participantes devem escolher apenas um dos debates.

Já a palestra “A importância de educar na atenção”, de Catherine L’Ecuyer, autora canadense de livros sobre o ato de educar, fica responsável por abrir os trabalhos no dia 13. A discussão, mediada por Pilar Lacerda, será desenvolvida com base em algumas perguntas, como: ‘o que contribui para reduzir a atenção dos alunos?’.

Além de explicar a atenção no sentido dos estudantes estarem atentos durante uma explicação em sala de aula, existe outro viés da atenção, no sentido de explicar a consideração da escola para com as especificidades dos alunos. Pilar defende que esse cuidado é muito importante e transformador hoje em dia. “A escola tem uma tendência a massificar: a prova é igual para todos, a avaliação, o horário. A educação integral começa a olhar cada um e seus interesses particulares. Quando a escola dá atenção para o aluno, conversa com ele, olha no olho, sabe o nome, onde mora, tudo isso é muito transformador, tanto para o estudante quanto para os professores”.

Inscrições

O evento acontece nos dias 12 e 13 de dezembro, a partir das 9h30, no teatro do Sesc Pompéia, que fica na rua Clélia, 93, em São Paulo.

As inscrições para participar do seminário podem ser realizadas neste link. No formulário, os interessados devem responder se querem participar de um ou dos dois dias de evento, assim como qual roda de conversa sobre práticas em educação integral querem acompanhar.

A programação completa pode ser consultada no site. Eventuais dúvidas podem ser encaminhadas para o email contato.siei@nineoclock.com.br ou esclarecidas pelo telefone 0800 773 0158.

 

Fonte: GIFE.