De acordo com os dados de pesquisa realizada pelo site de recrutamento Catho em colaboração com a UPWIT (Unlocking The Power of Women for Innovation), sobre as condições de trabalho de profissionais do sexo feminino na área de tecnologia no Brasil, 51% das mulheres já ter sofrido discriminação no ambiente de trabalho por conta de gênero. O levantamento foi realizado com mais de mil profissionais do setor entre janeiro e fevereiro do ano passado (632 homens e 396 mulheres).

Por outro lado, informações da ONU Mulheres Brasil revelam que elas estão fora dos principais postos de trabalho gerados pela revolução digital, sendo que somente 18% das mulheres têm graduação em Ciências da Computação e representam, atualmente, apenas 25% da força de trabalho da indústria. “Setenta e quatro por cento das meninas em idade escolar expressam interesse no campo da ciência, tecnologia, matemática e engenharia. Mas o fato é que apenas 30% das pesquisadoras do mundo são mulheres”, afirmou Adriana Carvalho, gerente da ONU Mulheres Brasil à revista Exame.

Se no Brasil o caminho ainda parece longo para que a equidade de gêneros nas áreas de computação seja uma realidade, em Washington (EUA) os grupos mais proeminentes da indústria de tecnologia são cada vez mais liderados por mulheres. Para as profissionais, essas mudanças são uma tendência promissora.

Ao jornal The Hill, Shirley Bloomfield, CEO da Associação Rural de Banda Larga, começou como articuladora da empresa 30 anos atrás, época em que, em sua avaliação, o campo profissional ainda era uma “terra árida para mulheres na indústria de tecnologia”. “Houve inúmeras reuniões em que eu me pegava inconscientemente olhando ao meu redor, pensando em como poucas mulheres estavam sentadas à mesa”, acrescentou ela.

No Vale do Silício, lugar que serviu de incubadora para gigantes da internet como Facebook, Netflix e Apple, muitos dos principais grupos da indústria também possuem mulheres em cargos-chave. Em 2013, Victoria Espinel tornou-se CEO da BSA, empresa que representa distribuidores de software corporativo e startups. “Definitivamente, houve algum progresso e, definitivamente, há muito mais que precisa ser feito”, disse Espinel à CNN, sobre as mulheres na área de tecnologia.

A equipe do TechNet, empresa representante de executivos da industria tecnológica nos EUA, é mais de 50% feminina e a equipe de liderança inclui pessoas latinas, afro-americanas e LGBT. Quando Linda Moore assumiu a diretoria da empresa, há 10 anos, o conselho contava apenas com três mulheres. Agora, oito dos 20 membros do conselho são mulheres. “Isso significa apenas que as empresas de tecnologia estão contratando as melhores pessoas que estão por aí”, avalia. “Eu sinto que esse grande objetivo que não é apenas meu, mas de todos inseridos numa sociedade saudável.”